- Luna?! Cadê você?! Luna?!
*Adormecida sobre as raízes de uma das árvores daquela região, ouso alguém gritar meu nome, porém, não reconheço tal voz e nem sei se ela é real ou fruto dos meus sonhos. Mas também não consigo saber se estou ou não… Sonhando.*
- Luna?! Onde você está?! Luna?!
*Uma força invade meu interior, uma força tão bruta e veloz que não me deixa abrir os olhos, é como que se alguém estivesse tapando meus olhos, tapando minha visão, mas essa mão é tão fria, firme e machucada. Ouso algumas pegadas pesadas, mas logo em seguida elas param.*
- Luna! Você está viva então. Pena que, será por pouco tempo.
- Argh… Lu… na…
*De repente, a voz cessa e um forte estalo faz com que os pássaros do local saiam agitados. Algo como água quente lava meu rosto, em um esguichar só, nesse instante abro meus olhos, respirando ofegante e assustada, logo em seguida passo a mão em meu rosto.*
- Hã? Água… Não… Sangue!
*Avisto um homem caído no chão a mais ou menos um metro de distância, sangrando, provavelmente morto. Respiro fundo e retiro o turbante do meu rosto, logo, meus longos cabelos azul-marinho se soltam, em movimentos leves, dançando e sentindo o frescor do vento que o manto negro nos presenteia. Por incrível que pareça não me abalo com aquela cena, nem caio em delírios desvairados, é como se tudo parecesse… Normal.*
- Hum… O que será que este homem veio fazer aqui?
*Me levanto e sigo andando até o infeliz espatifado no chão. Durante a pequena caminhada, aproveito para limpar meu rosto com o turbante.*
- Pobre infeliz! Espero que ele tenha rezado por sua alma… Se não rezou… Bem, o lago dos mortos o espera!
*Um lindo e largo sorriso se abre nos lábios provocantes e sedutores, digno de uma dama, iluminados pela lua.*
- Nada como um banho de sangue quente para lavar a alma!
*Levanto meio quarto do meu braço direito e com um gesto provocante, com o dedo indicador, faço um sinal de “venha” e o corpo do homem começa a se desfazer, a carne apodrece e seca, deixando apenas alguns pedaços úmidos espalhados pelos ossos.*
- Oh sim! Há quanto tempo não sinto esse cheiro?! Que glamour!
*Respiro fundo e sinto o odor delirante vindo da imundice, criada por mim mesma. Mordo meus lábios inferiores em um estado de êxtase supremo, logo em seguida, os ossos do morto começam a se levantar e criar “vida”.*
- Huhuhuhu
